GANGRENA
Substantivo feminino.
Gangrena: termo médico para descrever uma doença infecciosa grave das partes moles, de rápida progressão, caracterizada por intensa destruição tissular (Dos Santos Djoney 2017). Quando não é tratada precocemente pode provocar uma necrose dos órgãos. Gangrena vem do latim gangraena que significa ‘podridão’. Esta palavra também é utilizada em sociologia e política para falar de corrupção moral e de doutrinas perniciosas. Há derivados desta palavra como gangrenar (produzir gangrena em / perverter) e gangrenoso (da natureza da gangrena).
A gangrena é uma condição médica de longa data. As primeiras referências históricas relativas à gangrena, encontram-se no corpus hipocrático. É uma compilação das pesquisas e dos trabalhos do famoso médico grego Hipócrates (Christopoulou-Aletra e Papavramidou 2009). Na sua época, a amputação era muito utilizada para curar a gangrena. Quando morrem, os tecidos danificam os membros e essa necrose pode espalhar-se. A amputação é, portanto, necessária para evitar a sua propagação. Hoje, há remédios contra a condição, mas quando é muito tarde, a ablação do membro é essencial.
No campo literário, a palavra gangrena é usada apenas na sua segunda definição… É uma palavra forte para falar do que mata a sociedade. O autor Ruy Fausto, utiliza a palavra no seu livro Para além da Gangrena, para descrever a crise do governo de Lula em Brasil:
Nessas condições, ou o PT procede a uma verdadeira análise de consciência, e mais do que isto, a uma limpeza geral das suas práticas, ou a gangrena, é preciso dizer, será inevitável.
(Fausto 2005)
A tradução francesa da palavra é grangrène, em italiano dizemos cancrena, em espanhol gangrena e em romeno cangrenă.
Referências bibliográficas
CHRISTOPOULOU-ALETRA H. e PAPAVRAMIDOU N., 2009, “The manifestation of ‘gangrene’ in the hippocratic corpus”, Annals of Vascular Surgery, 23/4, https://www.annalsofvascularsurgery.com/article/S0890-5096(09)00023-5/fulltext#secd20263515e277, consultado a 13/11/2020.
DOS SANTOS DJONEY R., 2018, “Perfil dos pacientes com gangrena de Fournier e sua evolução clínica”, Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 45/1, consultado em Academico, http://www.scielo.br/pdf/rcbc/v45n1/pt_0100-6991-rcbc-45-01-e1430.pdf.
FAUSTO R., 2005, “Para além da gangrena”, Lua Nova: Revista de Cultura e Política, 65, consultado em Scielo, http://www.scielo.br/pdf/ln/n65/a09n65.pdf.
VOLTAIRE, “Causas e curas para o fanatismo”, Dicionário filosófico, 1764, consultado em Citador, https://www.citador.pt/textos/causas-e-curas-para-o-fanatismo-voltaire-pseud-de-francoismarie-arouet.
Imagem
https://www.picpedia.org/medical/g/gangrene.html
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Cette notice a été rédigée pour la revue ROMA 1/2020 par Anne-Sophie Nzuzi Odia. |
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